Risco de execução de contratos de leasing de aeronaves: o que os locadores precisam saber antes do inadimplemento.

Escrito por: Richard L. Richards, Esq. & Alejandra Muniz Marcial, advogada.

As empresas de leasing de aeronaves concentram-se principalmente no valor do ativo, no estado de manutenção e na solvência do operador. No entanto, um dos riscos com maiores consequências financeiras – a execução do contrato de leasing – muitas vezes recebe menos atenção até que ocorra um incumprimento. Este artigo examina como o risco de execução influencia a estratégia de recuperação e por que as empresas de leasing devem planear para ele antes que surjam dificuldades. 

Em teoria, o incumprimento restaura a alavancagem. Na prática, as restrições legais e regulamentares muitas vezes remodelam essa alavancagem no momento em que a dificuldade financeira de um operador se torna formalizada. 

O risco não reside simplesmente na validade do contrato de locação. Reside na possibilidade de sua execução ocorrer dentro do prazo e na jurisdição esperadas pelo locador. 

A aplicação da lei depende da localização da aeronave e da jurisdição. 

Aeronaves são ativos móveis, mas a execução da lei não o é. Os direitos de retomada dependem muito de onde a aeronave se encontra fisicamente no momento da inadimplência. Procedimentos judiciais locais, práticas de registro e padrões de medidas cautelares podem atrasar significativamente a recolocação da aeronave no mercado. 

Mesmo quando se aplicam tratados internacionais, como a Convenção da Cidade do Cabo, a implementação local varia. Os tribunais podem exigir o cumprimento de procedimentos antes que o cancelamento do registo ou a exportação ocorra. Os locadores que presumem resultados uniformes de execução em todas as jurisdições frequentemente descobrem que os prazos diferem significativamente das suas hipóteses iniciais.  

Isso torna o planejamento jurisdicional tão importante quanto a seleção de ativos. 

Direitos contratuais versus controle operacional 

Os contratos de arrendamento geralmente contêm cláusulas de incumprimento abrangentes e direitos de retomada de posse. No entanto, o controlo só é eficaz se a estrutura operacional de suporte for sólida. 

Algumas das perguntas que os locadores devem fazer incluem: 

  • Quem detém fisicamente os livros de registro?  
  • Quem controla os registros de manutenção?  
  • Onde a aeronave está normalmente baseada?  
  • Qual entidade interage com a autoridade de aviação?  

Se documentos essenciais ou direitos de acesso forem controlados funcionalmente pelo operador ou por terceiros, podem existir direitos contratuais sem que haja, na prática, qualquer possibilidade de negociação. 

A verdadeira prontidão para a aplicação da lei exige alinhamento entre os direitos legais e a custódia operacional. 

Recuperação de atrasos em disputas de reentrega e manutenção 

Muitos processos de execução são atrasados ​​não por causa de disputas de pagamento, mas por causa de divergências técnicas sobre as condições de reentrega. 

Discussões sobre inspeções, condições de devolução ou avaliações de danos podem transformar uma simples retomada de posse em um litígio prolongado. Durante esse período, a aeronave pode ficar impedida de voar ou inviável comercialmente. 

Cláusulas de devolução bem elaboradas reduzem a ambiguidade, mas os locadores também devem planejar o cronograma de resolução de disputas ao desenvolver cenários de recuperação. 

Como a dificuldade financeira altera os direitos de execução 

Nos Estados Unidos, quando uma empresa entra em processo formal de reestruturação, a legislação federal pode impor limites temporários às atividades de execução, incluindo restrições à retomada de bens e à exportação, até que haja aprovação judicial. Veja, por exemplo, 11 USC §§ 362, 365 e 1110. 

Isso não elimina os direitos do locador, mas altera a dinâmica da negociação. A estratégia de recuperação passa a depender tanto do momento certo e da capacidade de negociação quanto do direito adquirido. Os locadores que se preparam para essa mudança com antecedência estão em melhor posição do que aqueles que presumem uma recuperação imediata. 

Estruturação de contratos de leasing de aeronaves para reduzir o risco de execução. 

A estratégia de fiscalização mais eficaz é a preventiva: 

  • Selecione a lei aplicável levando em consideração a sua aplicação.  
  • Estruturar cláusulas de jurisdição com base em padrões de localização de aeronaves.  
  • Garantir o acesso independente aos registros e dados de manutenção.  
  • Alinhe as cláusulas do contrato de arrendamento com o controle operacional realista.  

Para as empresas de leasing de aeronaves, o risco de execução não é teórico. Ele afeta diretamente os prazos de revenda, a utilização dos ativos e os resultados de recuperação. As cláusulas contratuais, as disposições sobre jurisdição e as estruturas de controle operacional devem ser avaliadas como parte do risco do ativo – e não meramente como formalidade legal. As empresas de leasing que consideram o planejamento de execução como parte do desenho da transação estão em melhor posição para preservar o valor quando as condições de mercado mudam. 


Richard L. “Rich” Richards é especialista em Direito Aeronáutico certificado pelo Conselho da Ordem dos Advogados da Flórida e sócio da Barakat + Bossa PLLC. Ele lidera a área de Aviação da firma, trazendo quase três décadas de experiência em litígios aeronáuticos, transações de aeronaves, conformidade regulatória e consultoria para companhias aéreas, FBOs, MROs e desenvolvedores aeroportuários. Sua trajetória inclui o cargo de Vice-Presidente e Conselheiro Geral de uma companhia aérea de carga sediada em Miami e a atuação em funções de liderança no setor de aviação da Flórida. Ele pode ser contatado em rrichards@b2b.legal.

Alejandra Muñiz Marcial é um advogado em Barakat + Grupos de prática de Aviação e Falências + Direitos dos Credores da Bossa. Ela assessora clientes em questões regulatórias da FAA, transações de aeronaves e negociações de arrendamento aeroportuário, além de representar credores e devedores em processos complexos de insolvência. Antes de ingressar na firma, atuou na área de direito aeronáutico em um escritório especializado em Coral Gables e, anteriormente, representou empresários em litígios e transações. Ela pode ser contatada pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. amuniz@b2b.legal.

Este post tem como objetivo fornecer informações gerais sobre a execução de contratos de arrendamento de aeronaves e não constitui aconselhamento jurídico específico. Para obter orientação personalizada para a sua situação, entre em contato diretamente com nossa equipe.